sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O seu último livro de auto-ajuda - Paul Pearsall

Hoje eu vou fazer uma coisa diferente. Vou comentar sobre um livro que eu ainda NÃO li. Estava navegando pela Folha Online e vi uma matéria sobre a obra "O seu último livro de auto-ajuda". Nele, o neuropsicólogo Paul Pearsall critica esse genêro literário, dizendo que ele "deturpa os conhecimentos das ciências humanas, difunde chavões da "psicologia pop" e é nocivo, porque induz seus leitores a dramatizar problemas, simplificam conflitos e soluções, criam dependência emocional e servem apenas para enriquecer seus autores, que se preocupam só com a autopromoção e os lucros". Matéria completa aqui.
Eu li dois livros de autoajuda até hoje. O clássico "O segredo" e "Você pode curar a sua vida" E sinceramente, acho que não vou ler outro tão cedo. Não que tenham sido leituras desgradáveis, mas chega uma hora que esse tipo de livro realmente cansa. Como foi dito pelo Dr. Paul Pearsall, para algumas pessoas se torna uma dependência ter sempre um livro do lado para dizer a elas como lidar com seus problemas. Por esse motivo, as prateleiras das livrarias estão sempre lotadas desses títulos de "como ser feliz".
Os autores desses livros perceberam com muita inteligência que o ser humano tem muita dificuldade de ultrapassar algumas barreiras, como o medo e a baixa auto-estima, por exemplo. Encontrar possíveis soluções para isso é muito reconfortante e e aí que eles "deitam e rolam". Me baseando em observações do dia a dia, posso dizer que os livros de autoajuda tem os preços mais acessíveis do mercado e talvez por isso, tantas pessoas ainda consomem esses títulos.
Mas a publicação do "o seu último livro de auto ajuda" é apenas mais um exemplo de que esse genêro já fez mais sucesso. Em matéria publicada pela revista "Época" no ano passado, as maiores livrarias do país já destacavam que houve queda nas vendas a partir do ano de 2009 (matéria completa aqui).
Achei muito interessante a ideia do livro (apesar de alguns trechos parecerem uma autoajuda ao contrário). Mas talvez seja uma forma de economia para aqueles que compram pilhas e pilhas desses títulos. A auto estima e o bolso agradecem :)


OBS: A palavra autoajuda não tem mais hífen. Mais uma do nosso "adorado" novo acordo ortográfico.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amor bandido


Hoje é aniversário da minha cidade amada e odiada, feia e bela, estressante e indispensável. Acho que todo paulistano tem uma relação de amor e ódio com São Paulo. Uma coisa que me deixa particularmente estressada é ir trabalhar. Quem mora aqui sabe que o transporte público é um caos e quem tem carro, sempre encara um trânsito infernal. Confesso que muitas vezes dentro do metrô eu penso: "eu quero ir embora daqui". Mas no fundo é só balela. Amo essa cidade, a diversidade, a forma como ela acolhe tantos brasileiros de outros estados, como acolhe os estrangeiros, a cultura..e o centro de São Paulo. Acho que todo mundo uma vez na vida deve visitar o centro de São Paulo. A maioria dos momentos mais felizes da minha vida eu passei por ali e tenho certeza que todo paulistano tem uma boa história pra contar vivida por lá. Outro lugar que eu gosto muito é a Avenida Paulista. Tem o teatro do Sesi, sempre com peças acessíveis, tem o Sesc, o Parque Trianon...e a escadaria do prédio da Gazeta, que é o meu cantinho favorito na cidade. Adoro sentar lá e simplesmente ver as pessoas passarem...ser expectadora e ao mesmo tempo participar daquela movimentação que não para nunca. E mais do que tudo, São Paulo também é música! Como não podia deixar de ser, vou deixar uma música da Zélia, que pra variar expressa o que eu sinto. Parabéns Sampa! ♥


Lá Vou Eu
Zélia Duncan


Num apartamento
Perdido na cidade
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar
Ultimamente
A gente não consegue
Ficar indiferente
Debaixo desse céu
Do meu apartamento
Você não sabe o quanto eu voei
O quanto me aproximei
De lá da Terra
As luzes da cidade
Não chegam nas estrelas
Sem antes me buscar
E na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você
E eu
E o céu...



domingo, 23 de janeiro de 2011

Dosagem

Me mostro em pequenas doses.
De acordo com a pessoa, verifico em quantas doses pode ser feita a "amostragem".
Com alguns ela é feita em pequenas gotas, gradativamente durante um longo período.
Outros suportam doses maiores, mas não sem efeitos colaterais.
Já alguns tem imensas restrições a fórmula e com esses prefiro nem arriscar.
Quando experimentaram sem nenhuma restrição, percebi que o contéudo do frasco realmente não foi feito para ser engolido por todos.
Mas as doses sempre serão dadas, para quem tiver condições de recebe-las.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Heróis da vida real



"Quando você chega no seu limite, nós iniciamos o nosso trabalho;
Quando você não pode fazer mais nada, nós perseveramos e sobrepomos nossos próprios limites;
Quando todos fogem do perigo, nós nos aproximamos;
Quando todos gritam de desespero, nós pedimos silêncio;
Quando todos caminham desistindo, nós corremos com esperança;
Quando todos choram, nós engolimos seco;


Fechamos os olhos e agradecemos à Deus por dar-nos a glória de sermos BOMBEIROS..."



Nos últimos dias, o Brasil e o mundo estão perplexos diante das tragédias ocorridas principalmente nas cidades serranas do Rio de Janeiro. Parece que todo início de ano é a mesma coisa: é só chover que acontecem os desabamentos em vários locais em que existem casas e famílias morando. A cobertura da mídia nos traz um pouco da dimensão do sofrimento das pessoas que perderam suas casas e seus entes queridos.
Apesar da importância de cobrar do governo a falta de investimento e de medidas de prevenção, nesse primeiro momento é preciso orientar as pessoas que sobreviveram e localizar os corpos daqueles que não resistiram à tragédia. E é nesse tipo de situação que eles sempre são os primeiros a chegar: os bombeiros.
É uma das profissões mais bonitas e na minha visão, uma das mais difíceis que existem. Arriscar a própria vida para salvar a vida de uma outra pessoa que eles sequer conhecem é um verdadeiro ato de heroismo.
Comecei a pesquisar de quanto é a faixa salarial de um bombeiro. Por incrível que pareça eu não consegui achar essa informação com precisão. Localizei alguns fóruns e blogs na net, mas nenhum com informação atualizada. Segundo um post do Diário de um PM, bombeiros militares ganham o mesmo que os policiais militares. As remunerações iniciais variam de R$ 818 a R$2.107. Lembrando que eu não consegui localizar um tabela atualizada e essa informação é de 2008. O salário varia dependendo do Estado e a região nordeste tem a menor remuneração do país.
É pouco para quem arrisca a vida e a tranquilidade da sua família diariamente e para quem abre mão do próprio bem estar físico e psicológico em prol de um bem maior. Esses heróis e heroínas da vida real merecem todo o respeito e a nossa admiração sempre.



Atualizado 4/06/2011: Hoje os bombeiros do Rio de Janeiro sofreram repressão do Bope, depois de uma manifestação em que eles exigiam aumento de salário, que atualmente é de 950 REAIS! O governador Sérgio Cabral, por enquanto, se recusa a negociar. Isso é uma vergonha! Tanta gente que não faz nada..e recebe muito mais...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cartas Extraviadas e outros poemas - Martha Medeiros


Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961 e é formada em Comunicação Social.
É colunista dos jornais Zero Hora e O Globo, além de colaborar para outras publicações.
Publicou livros de poesia, crônica, guia de viagem, obra infantil e romances.




Acho que toda mulher que já leu uma poesia ou um texto de Martha Medeiros se identificou em algum momento. Ela sabe expressar bem os sentimentos tão diversos do sexo feminino nos momentos de amor, raiva, solidão, descobrimento e outros vários. O livro "Carta Extraviadas e outros poemas" é uma coleção de poemas curtos e entre eles são encontrados 5 textos que seriam as "cartas extraviadas" de Martha (e que poderiam ser de qualquer outra mulher). Essa edição da foto é de bolso, então é uma ótima opção pra carregar e ler de vez em quando. Separei um dos trechos que achei mais bonito:


"Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tua vida londe de mim e eu de ti, pela imensidão da nossa descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos "nãos" todos que te falei, pelo pouco que houve de "sim", acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim".



Para quem curte poesia, vale a pena conhecer :)

domingo, 2 de janeiro de 2011

O barulho das verdades

Era uma cidade. E que cidade bonita. Todas as manhãs o sino da Igreja tocava, avisando a todos que iniciava-se um novo dia. O responsável era João, o coroinha mais elogiado da paróquia. Mas naquela manhã, o sino não tocou.
Muitos, que tinham no sino um despertador, acordaram atrasados para iniciar sua tarefas. Revoltados e ao mesmo tempo preocupados, decidiram se reunir e ir até a Igreja verificar o que tinha ocorrido.
Procuraram o Padre Joaquim, que também havia acordado atrasado. "Vamos todos até o quarto de João", sugeriu o Padre.
Chegando lá, encontraram o pequeno João sentado em sua cama, lendo um gibi.
- Por que não tocastes o sino João?, indagou o Padre.
- Pra falar a verdade Padre - começou João - Eu não gosto de tocar esse sino todos os dias, me cansa e ocupa meu tempo. Prefiro acordar cedo para ler meus livros e gibis. A partir de hoje, não toco mais esse sino.
Surpresa geral.
- João, mas por que isso? Sempre foi tu que tocastes o sino!
- Sim Padre, mas a partir de hoje, resolvi só dizer a verdade.
Acompanhando a cena, o padeiro Manoel decidiu se manifestar:
- Bom, como ninguém tocará o sino, sinto informar que não conseguirei mais acordar no horário correto para fazer o pão, pois tenho o sono pesado e minha esposa também. Além disso, na verdade nunca suportei meu chefe, o senhor Luís. Nunca vi um homem tão pão duro e arrogante.
Luís, o dono da padaria, surpreso com a declaração, resolveu dizer:
- Bom Manoel, acredito que o motivo de seu grande sono pode ser resolvido, se sua esposa parar de lhe dar o calmante todos os dias para se encontrar comigo nos fundos da padaria.
Todos ficaram boquiabertos.
- Luís Henrique!! - grita a esposa do padeiro - já que meu esposo resolveu se demitir, não vejo mais motivos para encontrá-lo. E você Manoel, agora que está desempregado não me tem mais nenhuma serventia. Agora vou realizar o meu grande sonho: abrir uma sex shop na cidade.
Espanto geral.
- Ora senhoras - disse a esposa do padeiro - não finjam espanto, porque nos encontros da igreja que as senhoras promovem todas as semanas, o último assunto abordado é a biblía.
Nesse momento, todos começaram a jogar sua verdades a quem interessava. Casais improváveis, ideias malucas, planos mirabolantes..tudo foi revelado. A essa altura, o Padre já chocado, principalmente com a revelação das conversas das senhoras nos encontros biblícos, vira para o coroinha, que até então lia seu gibi tranquilamente, dizendo:
- Está vendo João, tudo isso porque você não quis tocar o sino.
- É verdade Padre - responde João - As pessoas precisam ouvir os sinos todos os dias, para acordarem e seguirem as suas rotinas. É como se o sino as lembrassem de seguir suas regras. Mas o barulho do sino também as lembravam de que deviam mentir, omitir e muitas vezes serem infelizes. E a verdade é que preferiam ouvir o barulho dos sinos do que a verdade. - É Padre - concluiu João - Acho que ainda vou ter que tocar o sino por um bom tempo...
E o barulho do sino continuou, escondendo as verdades novamente...