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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Agosto - Rubem Fonseca



Acabei de ler no site da Folha que a minissérie "Agosto" vai ser reprisada no canal Viva. Ela foi exibida em 1993 e é uma adaptação do livro homônimo de Rubem Fonseca. Eu li esse livro e com certeza é uma das melhores obras que eu li na minha vida. Ela é uma mistura de ficção e realidade, que narra os últimos dias do governo de Getúlio Vargas e a investigação de um crime, comandada pelo comissário Mattos.

Na época, eu escrevi sobre o livro em um outro blog que eu tinha. Segue um trecho:

(...) terminei de ler um dos melhores livros da minha vida (Agosto - Rubem Fonseca). Não vou explicar a história toda aqui, mas o motivo de eu ter gostado tanto é o personagem principal, o comissário Alberto Mattos. Ele é um policial inteligentíssimo, corajoso e cheio de atitude. O comissário Mattos vive no meio da podridão, um mundo cheio de morte, mentira, tortura e não abaixa a cabeça pra ninguém. Briga, xinga, dá ordens e desafia todos com uma coisa que ninguém em volta tem, e que deixa todo mundo chocado: ele é insuportavelmente honesto. Digo insuportável porque é isso as pessoas honestas se tornam muitas vezes (na visão de alguns). Por que ser honesto nos dias de hoje? pra ser passado para trás, pra levar prejuízo? (...)


O comissário Mattos é interpretado por José Mayer. O roteirista da série é o próprio Rubem Fonseca, então as falas dos personagens na maioria das vezes são exatamente iguais a do livro. E isso é muito legal, porque os diálogos dos livros do Fonseca são inesquecíveis.

Para quem tiver a oportunidade de assistir, vale a pena.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ágape - Padre Marcelo Rossi

CALMA! O intuito desse post não é evangelizar ninguém!

Afirmo, de boca cheia, que um dos melhores livros que eu li nos últimos tempos é Ágape, do Padre Marcelo Rossi. Segundo o escritor Gabriel Chalita, que escreveu o prefácio do livro, Ágape significa "o amor condicional, generoso, sem limites, puro e livre". Em nossa sociedade, o que menos vemos é isso. O que está presente é o egoísmo, todo mundo querendo passar por cima do próximo, "amizades" por interesse, maldade...tudo de ruim. Fica díficil acreditar que existe esse amor no mundo.

Esse livro caiu em minhas mãos (através da minha mãe), em um momento que eu estava lá no fundo do poço. Me deram uma rasteira no trabalho que eu meti a cara no chão gostoso, e tava doendo pra caramba. Depois que eu li, me senti muito melhor e o mais importante, não foi um bem estar momentâneo. Sempre que eu desanimo (o que não é raro), eu lembro das palavras do livro e fico bem de novo.

Não é uma obra de autoajuda e nem é necessariamente católica (como muitos podem pensar). É um livro que nos faz pensar (e lembrar) que apesar de enxergarmos o mundo escuro em certas ocasiões, o Ágape pode e deve estar dentro de nós, e isso torna a vida mais fácil.


Independente da sua religião, recomendo a leitura :D

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A arte de escrever - Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer (Danzig, 22 de Fevereiro 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro 1860) foi um filósofo alemão do século XIX.Seu pensamento é caracterizado por não se encaixar em nenhum dos grandes sistemas de sua época. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação (1819), embora o seu livro Parerga e Paralipomena (1851) seja o mais conhecido. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Ficou conhecido por seu pessimismo e entendia o Budismo como uma confirmação dessa visão. Schopenhauer também combateu fortemente a filosofia hegeliana e influenciou fortemente o pensamento de Friedrich Nietzsche. (Fonte: Wikipédia)



Algo que une todos nós blogueiros é o gosto pela escrita. E graças a Deus, temos referências de ótimos escritores e pensadores ao longo da história, para nos inspirarmos e aprendermos.

O livro "A arte de escrever" é uma compilação de textos do livro "Parerga e Paralipomena" do filósofo Arthur Schopenhauer. Ele traz alguns reflexões sobre a importância do pensamento na vida de um escritor, a influência dos livros na criatividade, o estilo que agrada ao leitor, etc. Schopenhauer tem algumas ideias polêmicas. Por exemplo, para ele, quem lê muito acaba não desenvolvendo o próprio pensamento e fica sempre a margem do conhecimento alheio. Um bom texto deve ser resultado de reflexões próprias e escrito sempre de forma resumida, para que o leitor possa obter a informação da forma que ela é, sem ser "corrompido ou enganado por artifícios retóricos" (uma característica bem jornalística).

Eu discordo de algumas ideias dele, mas adoro esse livro. O primeiro texto é um pouco mais complexo, mas os outros são de fácil compreensão e até bem humorados. Diverte e ao mesmo tempo faz refletir sobre essa verdadeira arte que é escrever.


Separei o meu trecho favorito:


"Assim, logo que nosso pensamento encontrou palavras, ele deixa de ser algo íntimo, algo sério no nível mais profundo. Quando ele começa a existir para os outros, para de viver em nós, da mesma maneira que o filho se separa da mãe quando passa a ter sua existência própria".



Recomendo muito esse livro!!!

OBS: Estou respondendo todos os comentários galera. Pode demorar um pouquinho, mas respondo :D

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vale a pena ler Nicolas Sparks?

Eu já comentei aqui que sou a pessoa mais desatualizada do mundo em relação a filmes. Estou decidida a mudar isso, então andei assistindo alguns nas últimas semanas. Dois deixaram a desejar, mas teve um que se destacou nesse quesito e decidi ouvir a opinião de vocês. Trata-se de "Querido John".
Resumindo, ele conta a história de um casal que se conhece na época de férias. Ela da faculdade, ele do exército. Vivem momentos lindos, fazem juras de amor eterno e no fim das férias cada um precisa ir para o seu canto.


A alternativa encontrada para continuarem se comunicando é trocar cartas, visto que ele vai viajar com o exército para lugares que sequer tinham telefone, quanto mais internet. Eu não gostaria me prolongar muito no resumo, então quem quiser saber um pouco mais sobre a história pode clicar aqui.
Não sei se foi a (má) interpretação dos atores ou o clichê da história, mas eu achei esse filme muito fraco. O que salvou foi a história do pai do protagonista, que tratou de um assunto que merece mais atenção, que é o autismo.
Ciente de que esse filme é a adaptação de um livro do Nicolas Sparks, eu pesquisei um pouco sobre as obras dele e descobri que ele também escreveu "Um amor para recordar", que também foi adaptado para o cinema e que, coincidentemente, é um dos filmes mais chatos que eu já assisti na minha vida.

Eu nunca li nenhuma obra dele, e sei que algumas adaptações ficam muito abaixo do que é mostrado no livro. Também não me considero uma pessoa insensível (apesar de não ser qualquer história de amor que me comove), mas já é o segundo filme baseado em um livro dele que eu acho péssimo.

Nicolas Sparks escreveu várias obras de muito sucesso que renderam algumas adaptações para o cinema. É um dos escritores mais elogiados do momento.

Mas eu gostaria de saber a opinião de quem já leu alguma obra dele. Vale a pena ler Nicolas Sparks?

sábado, 19 de março de 2011

Se houver amanhã - Sidney Sheldon



Cumprindo o que eu disse no primeiro post sobre Sidney Sheldon aqui no blog, já faz algum tempo que resolvi ler mais uma de suas obras, para tirar (ou confirmar) de vez a impressão ruim que eu tive na primeira leitura. E que bom que eu fiz isso.
O livro “Se houver amanhã” nos apresenta a história de Tracy Whitney, uma jovem bancária que está noiva do homem da sua vida, o herdeiro de uma grande fortuna. Tudo está perfeito para Tracy, até ela receber a notícia que abalaria toda a sua história: sua mãe havia se suicidado. Determinada a descobrir o motivo para tal ato, ela começa a investigar e descobre que a empresa que herdará de seu pai e que era administrada por sua mãe havia sofrido um golpe. Cega pelo desejo de vingança, Tracy procura o responsável por toda a desgraça de sua família e acaba se envolvendo em uma armação que a leva para a cadeia.


Sem família, abandonada pelo noivo e vítima dos mais diversos abusos na cadeia, ela junta todas as suas forças para conseguir sobreviver. E dar uma virada em sua história. Esse livro é um romance daqueles de tirar o fôlego. A protagonista da história é muito inteligente e perpicaz, o que a torna uma personagem inesquecível. Se compararmos a primeira parte do livro com o final, parece se tratar de duas mulheres e duas histórias diferentes, tamanha a mudança que ela sofre. Isso claro, com a ajuda dos outros personagens, que são muito bem construídos e que deixam marcas significativas em Tracy.
Segundo os membros da comunidade do orkut "Sidney Sheldon Brasil", esse é considerado um dos melhores livros do autor. Na época de seu lançamento nos E.U.A (1986), chegaram a adaptá-lo para a televisão.
Dessa vez eu gostei muito da leitura, já li até outra obra dele depois desse livro. E o legal é que por ser um autor muito conhecido, não é nem um pouco difícil achar alguém que tenha para emprestar...(contenção de despesas é tudo rs). Vou deixar para vocês um trecho da minissérie, quando Tracy já está na cadeia. Espero que curtam!


Atualizado em 27/04/2011: Quem acompanha a novela "Insensato Coração" já deve ter percebido que a personagem Norma, vivida pela atriz Glória Pires, apresenta muitas semelhanças com a Tracy. Ela até já apareceu lendo um livro do Sidney Sheldon (que agora infelizmente não me recordo o nome). Acho que o autor Gilberto Braga deveria declarar abertamente essa influência no livro. Pelo menos faria a alegria dos fãs :)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Apanhador no Campo de Centeio - J.D Salinger


"Amo escrever, mas só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer." (J.D. Salinger)


O livro "O Apanhador no Campo de Centeio" foi a obra prima do escritor americano J.D Salinger. Ele faleceu em janeiro do ano passado e essa matéria da Folha Online publicada no dia do falecimento conta um pouco de sua trajetória.
Minha história com esse livro é antiga. A primeira vez que ouvi falar dele eu devia ter uns 16 anos. Eu era super fã do Guns'n'Roses (sou até hoje) e li uma matéria que dizia que era o livro preferido do Axl Rose. Desde desse dia me interessei pela obra.

Foram passando os anos e várias pessoas que eu conhecia me recomendavam essa leitura, dizendo que eu me indentificaria. Comecei a procurar em sebos e nunca achei o bendito. Até que há alguns dias, vi um colega meu no trabalho lendo um livro. Eu, que nunca posso ver ninguém lendo, que fico curiosa, pedi para ver qual livro era. Nem acreditei quando vi! Finalmente tive a oportunidade de conhecer essa famosa obra.
O ano é 1951. O livro conta a história de Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos que foi expulso da escola (uma espécie de colégio interno, o que era comum na época) devido as suas notas baixas. Ele ainda pode passar o fim de semana no colégio e precisa estar em casa apenas na quarta-feira. Mas depois de uma briga com o colega de quarto, ele resolve ir embora e "perambular" pelas ruas de Nova York, até voltar para casa e contar sobre a expulsão para os seus pais. E é nessa "perambulação" que ele começa a refletir sobre a sua vida, sobre as pessoas, suas dúvidas e seus planos para o futuro. No começo, achei o personagem apenas um adolescente chato, que vivia reclamando de tudo (com frequência ele se refere as pessoas como "cretinos" e "filhos da mãe"). Mas com o passar do livro, comecei a me identificar com o Holden. A adolescência é uma fase mágica e a mesmo tempo assustadora, pois as dúvidas e a falta de autoconhecimento causam situações díficeis, que depois se transformam nas primeiras experiências de nossas vidas "adultas". Talvez falar sobre a história de um adolescente hoje não signifique nada, mas o ano era 1951 e esse foi simplesmente o primeiro livro da literatura americana a abordar a visão de um jovem. Até então, os adolescentes não tinham voz na sociedade. Com essa obra, J.D Salinger revolucionou e influenciou gerações nas décadas seguintes.
Para quem, assim como eu, busca ler sempre os clássicos e livros que marcaram a história, não deixem de ler "O Apanhador no Campo de Centeio".

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O seu último livro de auto-ajuda - Paul Pearsall

Hoje eu vou fazer uma coisa diferente. Vou comentar sobre um livro que eu ainda NÃO li. Estava navegando pela Folha Online e vi uma matéria sobre a obra "O seu último livro de auto-ajuda". Nele, o neuropsicólogo Paul Pearsall critica esse genêro literário, dizendo que ele "deturpa os conhecimentos das ciências humanas, difunde chavões da "psicologia pop" e é nocivo, porque induz seus leitores a dramatizar problemas, simplificam conflitos e soluções, criam dependência emocional e servem apenas para enriquecer seus autores, que se preocupam só com a autopromoção e os lucros". Matéria completa aqui.
Eu li dois livros de autoajuda até hoje. O clássico "O segredo" e "Você pode curar a sua vida" E sinceramente, acho que não vou ler outro tão cedo. Não que tenham sido leituras desgradáveis, mas chega uma hora que esse tipo de livro realmente cansa. Como foi dito pelo Dr. Paul Pearsall, para algumas pessoas se torna uma dependência ter sempre um livro do lado para dizer a elas como lidar com seus problemas. Por esse motivo, as prateleiras das livrarias estão sempre lotadas desses títulos de "como ser feliz".
Os autores desses livros perceberam com muita inteligência que o ser humano tem muita dificuldade de ultrapassar algumas barreiras, como o medo e a baixa auto-estima, por exemplo. Encontrar possíveis soluções para isso é muito reconfortante e e aí que eles "deitam e rolam". Me baseando em observações do dia a dia, posso dizer que os livros de autoajuda tem os preços mais acessíveis do mercado e talvez por isso, tantas pessoas ainda consomem esses títulos.
Mas a publicação do "o seu último livro de auto ajuda" é apenas mais um exemplo de que esse genêro já fez mais sucesso. Em matéria publicada pela revista "Época" no ano passado, as maiores livrarias do país já destacavam que houve queda nas vendas a partir do ano de 2009 (matéria completa aqui).
Achei muito interessante a ideia do livro (apesar de alguns trechos parecerem uma autoajuda ao contrário). Mas talvez seja uma forma de economia para aqueles que compram pilhas e pilhas desses títulos. A auto estima e o bolso agradecem :)


OBS: A palavra autoajuda não tem mais hífen. Mais uma do nosso "adorado" novo acordo ortográfico.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cartas Extraviadas e outros poemas - Martha Medeiros


Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961 e é formada em Comunicação Social.
É colunista dos jornais Zero Hora e O Globo, além de colaborar para outras publicações.
Publicou livros de poesia, crônica, guia de viagem, obra infantil e romances.




Acho que toda mulher que já leu uma poesia ou um texto de Martha Medeiros se identificou em algum momento. Ela sabe expressar bem os sentimentos tão diversos do sexo feminino nos momentos de amor, raiva, solidão, descobrimento e outros vários. O livro "Carta Extraviadas e outros poemas" é uma coleção de poemas curtos e entre eles são encontrados 5 textos que seriam as "cartas extraviadas" de Martha (e que poderiam ser de qualquer outra mulher). Essa edição da foto é de bolso, então é uma ótima opção pra carregar e ler de vez em quando. Separei um dos trechos que achei mais bonito:


"Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tua vida londe de mim e eu de ti, pela imensidão da nossa descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos "nãos" todos que te falei, pelo pouco que houve de "sim", acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim".



Para quem curte poesia, vale a pena conhecer :)

sábado, 18 de dezembro de 2010

BookCrossing

Um dia desses, eu estava assistindo ao "Jornal do SBT" e acompanhei uma matéria muito interessante. Eles falavam sobre um novo movimento, chamado BookCrossing. Segue um resumo retirado do site oficial:

O BookCrossing é um conceito que pode ser resumido como a prática de deixar um livro num local público, para ser encontrado e lido por outro leitor, que por sua vez deverá fazer o mesmo. O objetivo do Bookcrossing é “transformar o mundo inteiro numa biblioteca”. Os membros desta comunidade de leitores, que não conhece limites geográficos, possuem um sentimento de partilha tão grande que não se importam de libertar seus próprios livros em locais como cafés, transportes públicos, bancos de praças e outros lugares que a imaginação ditar, para que outras pessoas os possam ler, ao invés de manter as obras paradas nas estantes. É uma forma de tornar o acesso à cultura e especificamente à leitura verdadeiramente universal.

Resumindo: Se você leu um livro muito legal e quer compartilhar com outras pessoas, é só ir até o site, cadastrar o livro e adquirir um número chamado BCID. No próprio site, você imprime uma pequena etiqueta (foto), cola no livro juntamente com o BCID, e por fim, divulga no seu perfil em que local você vai "liberta-lo".
É um movimento novo no Brasil, tanto que a parte de cadastro no site ainda é em inglês. Achei a ideia bem legal, mais encontrei alguns pontos negativos:
1- É difícil conseguir localizar um livro. Eu me cadastrei e procurei saber onde a galera costuma deixar os livros. Aqui em São Paulo, por exemplo, a maioria deixa em alguma estação do metrô. COMO eu vou chegar a tempo de conseguir pegar o livro se milhões de pessoas pegam metrô todos os dias? Difícil.
2- Imagino que pensando no problema que eu acabei de relatar, foram criados alguns "pontos fixos" do BookCrossing. Pelo menos é o que divulga o site. Mas pesquisando no site todo eu não consegui achar nenhum local aqui em São Paulo. (Se você acessar o site e achar, me avise..rs).
Repito, é um movimento novo no Brasil, e por conta disso que acho que algumas coisas ainda devem ser aprimoradas. Então, se você estiver andando por aí e do nada encontrar um livro "abandonado", abra e dê uma olhadinha. Você pode ter a chance de ler um livro muito legal e fazer com que outras pessoas leiam tb :)

domingo, 28 de novembro de 2010

Lolita - Vladimir Nabokov

"Lolita" é um clássico da literatura mundial, escrito pelo russo Vladimir Nabokov e publicado pela primeira vez em 1955. Escreveu seus primeiros romances na língua materna, mas foi ao escrever na língua inglesa que publicou sua obra prima. Mais informações sobre o autor aqui.
O livro deu origem a um termo muito utilizado até hoje: Ninfeta. A palavra vem do grego ninfos, que significa mulher jovem exuberante e provocadora de lascívia. Pode vir também de ninféia, que se aproxima de fada. E é assim que Humbert Humbert, o narrador da história, enxergava sua musa de 12 anos, Lolita.

O livro inicia-se com H.H relatando um pouco de sua infância e contando a origem do seu desejo por "Ninfetas". Acho que muitas pessoas que começaram a ler esse livro pararam por aí. Diante de tantos casos de pedofilia que vemos todos os dias, é um pouco revoltante ler o que H.H descreve. Mas eu particularmente resolvi "abrir os poros" e mergulhar na narrativa do personagem. Até porque nesse ínicio, é tudo abstrato.


Depois de um divórcio atípico, o francês H.H se muda para os E.U.A. Lá, seus planos de moradia não dão muito certo, e ele sem opção vai morar na casa de uma parente de seus amigos. Ao ser apresentado ao lugar, seu primeiro desejo é de sair correndo. Isso até a dona da casa lhe apresentar a sua filha, a pequena Lolita. A partir daí, se desenrola toda a história.


Esse é o tipo de história que nos trás vários questionamentos no final. Não é a toa que "Lolita" se tornou sinônimo de "jovem provocadora de lascívia". Ela está muito longe de ser uma menina "inocente". Em muitas partes do livro, se tem a impressão de que a criança na verdade é o H.H. Por outro lado, muitos fatos fazem pensar que Lolita é apenas uma criança muito infeliz e sem alternativa. Enfim, se eu contar mais vou acabar contando o livro todo..rsrs. Minha opinão final sobre o livro é a seguinte: é uma história de amor, e como todas as história de amor (reais), nem sempre é uma história "certinha", nem sempre ambos os lados são pessoas "normais" e nem sempre acaba em um final feliz.


Foram feitas 2 versões do livro para o cinema, uma em 1962 e outra em 1997. É possível encontrar algumas cenas no youtube. Separei uma para vocês, da versão de 1997:



Um dos livros mais interessantes que eu já li. Recomendo muito!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quem tem medo de escuro? - Sidney Sheldon


O americano Sidney Sheldon é um dos escritores mais lembrados quando o assunto é "Best Seller". Vendeu mais de 300 milhões de livros em todo mundo e é o autor mais traduzido do planeta. Faleceu em 2007, aos 89 anos. Fonte e mais informações aqui.
Tive a oportunidade de ler um dos livros do escritor, chamado "Quem tem medo de escuro?". O livro começa nos apresentando 4 assassinatos, em 4 países diferentes, o que já nos mostra que esses assassinatos tem ligação. As esposas de dois assassinados acabam se conhecendo em uma situação inesperada, e a partir daí começam a serem perseguidas pelo suposto assassino, visto que começam a juntar peças e se encontram cada vez mais próximas de descobrir a verdade. O pano de fundo para essa história é uma grande Multinacional chamada KIG, que é o local onde os quatro assassinados trabalhavam.
Gosto desse genêro policial e já li livros ótimos que me fizeram "viajar". Mas não tive essa sensação desta vez. As duas personagens que são perseguidas (Kelly e Diane), conseguem fugir das armadilhas colocadas de formas que muitas vezes não ficam claras. Ou melhor, de formas impossíveis (mediante aos elementos que o escritor oferece na história). Tá, eu sei que é uma ficção, mas se pegarmos uma obra de Agatha Cristhie ou de Rubem Fonseca, é muito fácil acreditar que tudo aquilo poderia acontecer. Os elementos se encaixam e os personagens nos dão uma base para isso. Não foi o que eu senti lendo Sidney Sheldon, e confesso que até me decepcionei. Quero ler outro livro para tirar essa impressão, ou confirmar a minha opinião de vez. Aceito sugestões :)

sábado, 2 de outubro de 2010

A Paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector


Clarice Lispector dispensa muitas apresentações. Nasceu na Ucrânia, mas se mudou para o Brasil ainda criança. Foi aqui que criou suas obras e sua história, e se tornou uma das maiores escritoras do Brasil. É também famosa por suas inúmeras frases e citações, que circulam na internet em perfis de orkut, twitter, facebook e blogs (inclusive nesse). Apesar disso, ela continua desconhecida para muitos leitores, pois muitos consideram a sua escrita hermética (que segundo o dicionário Michaelis, entre outros significados, quer dizer "De compreensão muito difícil"). Já havia lido alguns contos dela, e recentemente (finalmente) consegui ler uma de suas obras.

"A Paixão Segundo G.H" conta a história de uma mulher que após a demissão da empregada, resolve fazer uma grande arrumação na casa, começando justamente pelo quarto da ex criada. Ela imaginou que encontraria um quarto bagunçado e sujo, mas para sua surpresa, naquele quarto ela encontra coisas que jamais imaginaria. Na verdade o quarto é apenas uma referência, pois tudo se encontra dentro dela. Confesso que com certeza terei que ler o livro de novo, pois ele tem tantas nuances, sutilezas e detalhes que em uma única leitura fica impossível captar tudo. Tive que parar de ler várias vezes, porque em alguns momentos, o que estava escrito me fazia refletir tanto e olhar tanto para dentro que ás vezes eu pirava rs. Eu tenho uma visão muito particular sobre Clarice e ler esse livro me fez gostar ainda mais dela. Poderia ficar aqui escrevendo horas e horas sobre ela, mas claro que não vou fazer isso. Quem sabe um dia :)

Na abertura do livro, Clarice faz um pedido aos leitores da história. Na minha visão, todos que consideram Clarice Lispector "complicada", deveriam atender à esse pedido antes de ler qualquer obra dela. Pouparia muitas frustrações. Um trecho do pedido:


"Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo de que se vai aproximar". C.L


Dito isso, recomendo muito Clarice Lispector e a "Paixão Segundo G.H".


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Metamorfose - Franz Kafka


"A metamorfose, de Franz Kafka, foi escrito em 1912, quando o autor contava vinte e nove anos. É um de seus poucos romances que foram finalizados e publicados, e é marcado pela sua forma peculiar de compor literatura.
A fórmula é bastante simples: Gregor Samsa acorda certa manhã, após "sonhos intranqüilos", e se encontra metamorfoseado em um inseto monstruoso. A partir daí passa a viver uma nova rotina, na qual deve permanecer em casa e à distância de qualquer visita. O trabalho, obviamente, é abandonado e seu quarto se transforma em todo o seu mundo".


Fonte: http://e-nigma.com.pt/criticas/metamorfose.html


Li esse livro no 1º semestre da faculdade, à pedido do professor de Filosofia. É uma história muito complexa, tanto que preferi nem me atrever a fazer uma resenha do livro e preferi buscar um pequeno resumo na internet. Me lembro que teria uma prova, e na época fiz várias pesquisas para tentar entender o máximo possível o que Kafka quis passar com esse personagem e essa história, e confesso que encontrei versões bem diferentes. No fim, fiz a prova e acabei passando relativamente tranquila pela matéria..rs. O fato é, que depois de 1 ano e meio, parece que finalmente eu entendi o que Kafka quis dizer. Isso porque me sinto meio "Gregor Samsa" ultimamente, passando por um processo de metamorfose, que segundo o dicionário Aurélio significa "Mudança completa no estado ou no caráter de uma pessoa". E da mesma forma como acontece com Gregor, o processo não é fácil. Muitas vez dói, muitas pessoas não entendem, ficam confusas, atiram pedras (ou maçãs), sentem medo. Alguns chamam de amadurecimento, outros apenas de mudanças, mas não sei, pressinto que daqui a alguns dias irei acordar com antenas na cabeça.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (Rubem Fonseca)


Aproveitando esse momento em que o escritor resolveu “sair da toca” (já que Fonseca é conhecido por não gostar de aparecer publicamente), vou comentar sobre um dos livros dele que eu já li . “Vasta Emoções e pensamentos imperfeitos” começa nos apresentando um cineasta que vive em um momento não muito produtivo da sua carreira, não filma a 2 anos e trabalha criando chamadas para o programa de TV de seu irmão, que é pastor de uma igreja evangélica (isso lembra alguma coisa?). Em mais um dia pacato, uma mulher bate em sua porta, desesperada, pedindo abrigo alegando que está sendo perseguida e pode ser morta. Ele dá abrigo a desconhecida, que vai embora na manhã seguinte deixando um bilhete com recomendação de que cuidasse de um pequeno pacote, de conteúdo desconhecido, até que ela pudesse buscá-lo. Paralelo a isso, ele recebe uma proposta tentadora, de dirigir um filme inspirado em um livro de Babél, um grande escritor russo. Estudando para realizar o projeto, se encanta completamente pelo escritor, desejando cada vez mais mergulhar na vida de Babél. Um acontecimento dá uma reviravolta surpreendente nessa história. Apesar de não conhecer muito a obra de Rubem Fonseca, ele tem uma genialidade incrível para criar seus personagens principais. O cineasta do livro não tem nome, o que faz que o leitor talvez não identifique tanto o personagem. Ele tem sonhos completamente sem sentido, e a descrição desses sonhos é somente um dos momentos do livro em que se tem a impressão de que ele é louco. É um personagem inteligentíssimo, que tem umas tiradas de humor em horas totalmente inesperadas. Apesar de seus muitos defeitos (muitos mesmo), a sua obstinação chega a conquistar em certos momentos. Fora isso, o livro tem muitos palavrões, sexo e a realidade “nua e crua”, no bom estilo Rubem Fonseca de escrever. E nele está frase final mais legal que eu já li em uma história. Recomendo muito Rubem Fonseca, um dos melhores escritores brasileiros.


Livro: Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (Rubem Fonseca)
Editora: Cia das Letras
Número de Páginas: 287